"A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito
É uma dança de roda e de doçura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos não me viram sempre.
Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.
Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar."
Paul Eluard
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Escada sem corrimão
"É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol,
mas nunca passa do chão.
Os degraus quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos,
servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe,
quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora,
o lastro do coração.
Sobe-se numa corrida,
correm-se perigos em vão.
Adivinhaste? é a vida,
a escada sem corrimão"
David Mourão Ferreira
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol,
mas nunca passa do chão.
Os degraus quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos,
servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe,
quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora,
o lastro do coração.
Sobe-se numa corrida,
correm-se perigos em vão.
Adivinhaste? é a vida,
a escada sem corrimão"
David Mourão Ferreira
Eu me perdi
"Eu me perdi na sordidez de um mundo
Onde era preciso ser
Polícia agiota fariseu
Ou cocote
Eu me perdi na sordidez do mundo
Eu me salvei na limpidez da terra
Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
E nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar"
Sophia Mello Breyner
Onde era preciso ser
Polícia agiota fariseu
Ou cocote
Eu me perdi na sordidez do mundo
Eu me salvei na limpidez da terra
Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
E nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar"
Sophia Mello Breyner
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Gaivotas
"Não sei onde as gaivotas fazem ninho,
onde encontram a paz.
Sou como elas,
em perpétuo voo.
Raso a vida
como elas rasam a água
em busca de alimento.
E amo, talvez como elas, o sossego,
o grande sossego marinho,
mas o meu destino é viver
faiscando na tempestade."
Vincenzo Cardarelli (trad. Albano Martins)
onde encontram a paz.
Sou como elas,
em perpétuo voo.
Raso a vida
como elas rasam a água
em busca de alimento.
E amo, talvez como elas, o sossego,
o grande sossego marinho,
mas o meu destino é viver
faiscando na tempestade."
Vincenzo Cardarelli (trad. Albano Martins)
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